8 de setembro de 2013

Sixteen

Joe andou devagar até onde Brian e Demi conversavam alegremente. Seus punhos cerrados e sua mandíbula travada. Se o garoto fosse um desenho animado, com toda a certeza estaria soltando fumaça pelos ouvidos, tamanha a sua raiva.

- Demi, eu posso falar com você? – ele disse sério e olhando apenas para a amiga que o encarava com uma expressão triste.
- Olha, se não é meu companheiro de quarto! – Brian exclamou e abraçou Joe pelo pescoço, fazendo o garoto fechar os olhos na tentativa de manter a calma.
- Vocês se conhecem? – Demi perguntou confusa.
- Mas é claro! – foi Brian que respondeu, pois Joe não conseguia emitir som algum. – Dormimos no mesmo quarto desde que chegamos aqui, não é bro?!

Joe apenas fingiu um riso e tirou o braço de Brian que estava em torno de si.

- Eu preciso muito conversar com você, por favor! – ele voltou a atenção a amiga, ignorando o mau caráter que estava ao seu lado.
- Bem, eu sei quando não sou mais necessário. – Brian disse rindo um pouco e batendo nas costas de Joe como um cumprimento. – Até mais, Demi, nos vemos por aí! – ele disse de modo galanteador e fazendo um breve carinho no rosto da menina que corou. Joe não suportou, pegou Demi pela mão e a puxou para longe.
- Ei, o que isso? O que pensa que está fazendo? – Demi exclamou enquanto era praticamente arrastada pelo amigo.
- Salvando você. – ele disse simplesmente.
- Me salvando? – ela perguntou indignada.      
- Isso mesmo! – ele confirmou e respirou fundo, passando as mãos pelo rosto, tentando encontrar um modo de falar o que precisava ser dito. – Demi, esse cara não presta!

Demi não esboçou reação nem ao menos fez menção de que falaria algo. Joe entendeu com um sinal pra que ele continuasse falando.

- Ele é mau caráter, você precisa ficar longe dele! – Joe disse olhando diretamente nos olhos da amiga, tentando fazê-la ler a verdade em seus olhos.
- Então, só você pode ficar com uma amiga minha? – Demi disse colocando as mãos na cintura.
- Quê? Não! Demi isso não tem nada a ver! – Joe disse inconformado.
- Claro que tem! – ela disse ainda mais segura depois de ver a reação do amigo. – Mas fique você sabendo que eu gostei do Brian tá?!
- Você o quê? – Joe sentiu o coração apertar e as mãos suarem. Era o desespero tomando conta de seu corpo.
- Gostei dele! Ele me tratou super bem e é lindo! – ela disse em tom de desafio. Ela queria provocar, mas não sabia com que estava lidando.
- Demi, pelo amor de Deus, acredita em mim! – Joe disse e segurou a amiga pelos ombros. – Ele não presta!
- Me dá um motivo. - Demi exigiu afastando as mãos do amigo.

Joe passou as mãos pelo cabelo e tentou achar uma maneira de convencer Demi a ficar longe de Brian. Mas nada vinha a sua cabeça a não ser contar a verdade, mas isso estava fora de cogitação.

- Como pensei. Você não tem motivo. – ela disse rindo de canto. – É tudo implicância.

Demi preparava-se para dar as costas para o amigo quando o desespero fez Joe falar.

- Ele jamais vai gostar de você! – Joe disse e arrependeu-se no mesmo instante em que viu a cara de choque que a amiga fez.
- Como? – ela perguntou em um quase sussurro.
- Ele não é capaz de gostar de alguém como você. – Joe tentou concertar, mas acabou piorando a situação.
- Alguém como eu? – ela disse sentindo o rosto quente de raiva.

Joe engoliu em seco. Tinha dito a pior coisa que a amiga poderia ouvir e sabia disso. Precisava concertar seu erro.

- Demi, ele só vai te usar, como Peter fez! Porque ele te vê da mesma forma! Um pedaço de carne que só serve pra uma noite! – as palavras saíram da boca de Joe e assim que chegaram aos ouvidos de Demi a reação foi automática. Os cinco dedos da garota foram de encontro ao rosto do menino.

Joe a olhou incrédulo.

Demi tentava controlar a respiração e as lágrimas que caíam.

- Eu não sou mais aquela menina, Joe, nem a que você conheceu nem a que foi humilhada em Londres. – ela disse ofegante e entre lágrimas. – Eu posso sim ser amada e eu sei que existe alguém que será capaz de gostar de mim.
- Esse alguém não o Brian. Demi por favor, me escuta... – Joe ainda suplicava.
- Isso eu descubro por mim mesma. – ela disse limpando as lágrimas e virando-se para sair dali.
- Ele só está com você pra me atingir! – Joe disse por fim, na tentativa de fazer a amiga parar e acreditar nele.
- A vida não gira só em torno de você, Joe. – com essas palavras Demi saiu dali, pois não suportava mais olhar para a cara de Joe.

Caminhou para o seu quarto sentindo-se a pior pessoa no mundo.

Logo agora que tudo estava bem, que ela estava bem, Joe tinha que estragar tudo. Que mal tinha ela se envolver com alguém? Porque ela não poderia ser amada? Brian podia sim gostar dela!

Entrou no seu quarto e ficou dando voltas tentando acalmar-se, mas as coisas que passavam por sua cabeça não a ajudavam. Ela tinha que se controlar, tinha que resistir, mas... Era mais forte que ela.

Começou, então a vasculhar todo o quarto em busca de algo perfurocortante, mas não encontrou nada. Miley havia dado sumiço em tudo o que Demi poderia usar como instrumento de tortura.

A menina começou a entrar em pânico e todo o seu corpo tremia de uma maneira absurda. Nunca tinha se sentido assim, tão... Dependente. Foi até o banheiro, abriu gaveta por gaveta, mas não encontrou nada.

Então veio o ataque, o pior que Demi já teve. A garota chorava copiosamente e arranhava-se com as próprias unhas deixando vergões vermelhos por todo o rosto, pescoço, braços e onde mais suas mãos alcançassem. Começou a rasgar sua roupa enquanto continuava a arrancar pedaços de sua pele que já sangrava tamanha a força que ela fazia.

Mas dessa vez a dor não passou, pelo contrário, só tornou-se maior. Os pensamentos não foram embora, e sim ficaram mais claros.

“Ele jamais gostaria de alguém como você”
“Ele só vai te usar, como Peter fez”
“Quem gostaria de uma gorda patética?”
“Joe jamais gostaria de uma gorda patética”
“Ninguém jamais vai amar você”
“Joe jamais vai amar você”

Demi sentia todo o seu corpo arder, mas o torpor não vinha. Foi quando seus olhos bateram em umas garrafinhas transparentes que estavam em cima do balcão da pia. Em seu rótulo podia-se ler: Acetona.

Suas mãos trêmulas foram de encontro aos frascos e os destaparam desajeitadamente. Sem pensar nas consequências daquilo, derramou todo o líquido e sua pele machucada sentindo o ardor tomar conta de seu corpo. Não pode controlar o grito que saiu do fundo de sua garganta.

Mas ela não parou, continuou a despejar o líquido por toda a área do seu corpo que estava machucado, o que era quase sua totalidade. As lágrimas ajudavam a lavar o sangue dos aranhões em seu rosto e proporcionavam quase a mesma sensação que a acetona.

Quando o líquido acabou, Demi sentou-se em um canto do banheiro, fraca e desprotegida. Ela não tinha ninguém. Nem amigos, nem amores, nem sua família estava ali. Demi estava sozinha, como sempre e, para o desespero ainda maior da garota, tendia a permanecer assim, para o resto da sua vida.

Os olhos de Demi estavam quase fechados, quando ela escutou a porta abrir abruptamente e uma voz gritar por seu nome, ela conhecia aquela voz, era Miley. Sentiu seu corpo ser sacudido e ouviu soluços vindos da amiga que continuava a chamar por ela. Tentou falar, mas não teve forças, não queria que a amiga chorasse.

- Eu vou cuidar de você. Mas por favor, fica comigo, Demi... Por favor...

Isso foi a última coisa que Demi ouviu antes de ser vencida pela escuridão. Seus olhos se fecharam e seus sentidos foram apagados. O medo que invadiu Miley foi o mesmo que havia invadido Joe quando o garoto encontrou a amiga quase na mesma situação. O medo de Demi, finalmente, ter conseguido o que tanto queria em sua vida: Descansar em paz.




Continua...


n/a: Oi :) Bem, como disse esse é um capítulo muito pessoal pra mim porque resolvi colocar uma das piores experiências que tive com a automutilação. Recaídas são as piores coisas, porque é como se você não tomasse água por muito tempo, daí quando toma chega a se afogar... Mas enfim, queria apenas compartilhar com vocês. espero que gostem do capítulo apesar dela estar triste né?! :( Prometo que vai melhorar... (um pouco) u.u. Comentem amores, fiquem com papai do céu e até o próximo post. Bjus! :***


p.s.: Tô morrendo de dores nas costas devido as horas de estudo e por isso vou ficar devendo a resposta dos comentários, mas faço isso no próximo post ok?! Obrigada por tudo amores! ;) <33


6 de setembro de 2013

Fifteen

“Essa chamada está sendo encaminhada para a caixa postal e estará sujeita a cobrança após o sinal”

Joe já havia perdido a conta de quantas vezes ele havia escutado essa maldita mensagem. Era sempre assim. O celular chamava sem parar e depois de um tempo só caia na caixa postal. Demi não o atendia tinham exatos três dias e o garoto já não sabia o que fazer.

- Não atendeu? – Mike perguntou solícito e quando amigo maneou a cabeça em negação, posou sua mão no ombro de Joe.
- Ela está fugindo de mim, Mike. – Joe disse sentindo cada pedacinho do seu corpo doer com a afirmação que acabara de fazer.
- Claro que não! – Mike disse, mesmo sabendo que o amigo estava certo. – Ela só deve estar muito ocupada com os trabalhos da faculdade.
Joe bufou descrente e levantou-se de sua cama.
- Ela tem vergonha do que eu fiz tanto quanto eu! – Joe disse, enquanto colocava o celular em cima da mesinha. – Imagina se ela soubesse que sou um drogado.
- Ela não tem vergonha de você, Joe não seja dramático! – Mike disse ainda sentado na mesma posição. – Se ela soubesse o porquê de você ter feito o que fez, com certeza seria tudo diferente. Ela entenderia.
- Será mesmo? – Joe perguntou jogando-se na cadeira que ficava próxima a escrivaninha.
- Ela é sua amiga, assim como eu! – Mike disse enquanto olhava diretamente para os olhos de Joe. – Eu não te abandonei... Ela também não o faria!

Joe nada disse, apenas esfregou as mãos no rosto como se isso fosse afastar dele todas aquelas incertezas que pairam em sua cabeça. Nunca havia se sentido tão vazio como agora. Como se Demi tivesse sumido junto com um pedaço importante dele, sem o qual ele não conseguia sobreviver.

- Quer saber? Vou atrás dela de novo, e dessa vez ela vai ter que me escutar. – Joe pôs-se de pé, pegou o celular e saiu porta a fora, sob os incentivos de Mike.

Caminhou rapidamente pelos corredores até chegar em frente ao quarto de Demi, onde Selena conversava com algumas outras meninas que ele não conhecia.  

- Oi Selena. – ele cumprimentou a menina quando se aproximou.
- Oi Joe. – ela disse meio... Indiferente?
-É... A Demi está aí? – ele perguntou meio sem jeito.
- Não e mesmo que estivesse não deixaria você chegar perto dela! – ela disse e, dessa vez, Joe soube reconhecer bem a frieza na voz de Selena.
- Mas o que eu fiz? – ele perguntou na tentativa de entender o porquê de todo aquele drama.
- Você ainda pergunta? – Selena disse e começou a alterar o tom de voz. A essa altura as meninas com quem ela conversava já haviam saído à francesa.
- Isso é só porque eu transei com amiga de vocês? - ele disse meio impaciente.
- Você acha mesmo que é só por isso? – Selena pareceu não acreditar. – Você é mesmo um idiota!

Joe não soube o que responder, pois não entendeu o que a menina quis dizer.

- Você não tem nem mesmo um pingo de desconfiança? – Selena demostrou toda a sua incredulidade enquanto proferia cada palavra da pergunta.
- Desconfiança do quê? O quê você está falando? – Joe estava confuso e tentando entender do que a menina falava.
- Esquece... Não sou eu quem vai abrir seus olhos. – ela disse vagamente deixando Joe ainda mais confuso, mas antes que ele pudesse questioná-la de alguma coisa, Selena foi mais rápida. – Olha, ela não está e nem sei quando volta, portanto, se me der licença...

Selena não esperou Joe concordar. Entrou em seu quarto batendo a porta na cara do garoto que estava totalmente confuso. Ele sentia que estava deixando algo passar despercebido, mas não conseguia saber o que era.  

Respirou fundo e decidiu voltar ao seu quarto. O coração ainda mais apertado e a saudade que sentia da amiga o matando cada segundo mais. Sentia falta de ver o sorriso de Demi, de escutar sua gargalhada contagiante e ver seus olhos brilharem toda vez que ele contava alguma história. Sentia falta de deitar no colo da amiga e adormecer com ela fazendo carinho em seus cabelos, de apostar quemm ficava mais tempo sem piscar ou sem rir. Sentia falta de ouvir a voz suave dela dizendo seu nome e de como o tempo passava mais rápido quando estava com ela. Joe nunca sentiu vontade de se drogar enquanto estava na companhia de Demi, como se ela, estranhamente fosse sua cura. 

Caminhava de cabeça baixa, contando os passos, mas ao passar por um corredor uma risada conhecida o fez levantar a vista. No mesmo instante desejou ser cego, pois, bem na sua frente estava a visão que ele jamais quis ver. A cena que ele tanto fez para impedir. 

Brian estava em pé com uma das mãos apoiada na parede, conversando alegre e despreocupadamente com Demi que ria a cada frase dita pelo garoto a sua frente. Subitamente Joe foi tomado por uma raiva que nunca pensou sentir. Algo que ele não sabia o que era. Conseguia distinguir a raiva e a impotência, mas tinha algo mais... Um sentimento que o estava fazendo perder o ar e sentir o coração espremer contra o peito. Joe não sabia nomear, pois não sabia o que sentia. Descobriria mais tarde, que era o puro e mais sincero ciúme.





Continua...



n/a: oi minhas lindas! :) Eu sei que o capítulo tá minúsculo, mas é porque o próximo tá bem grandinho e já vou avisando que ele será o mais pessoal pra mim, pois foi algo que realmente aconteceu comigo, mas enfim... deixe isso para o próximo capítulo né?! Vamos falar desse! O que acharam? Será que o Brian vai usara a Demi contra o Joe? Será que a Demi se deixará ser usada? hm... Comentem amores e me contem suas opiniões... Eu terminei de escrever essa fic então agora só vou postar, pensei em fazer uma maratona, mas não vai dar porque preciso desse tempo pra dar uma adiantada em Stuck In The Past, espero que entendam! Bem, eu já falei demais... Comentem e até o próximo post! Beijooooos! :***


RESPOSTAS DO CAPÍTULO 14 AQUI