Deixei
Demi dormindo, tranquilamente, no conforto de sua cama e voltei pra minha casa
com um sorriso abobado no rosto. Eu estava feliz e disposto a tudo pra ter Demi
ao meu lado. Nem que pra isso tivéssemos que manter segredo até ela completar a
maior idade.
Respirei
fundo e entrei em casa indo direto para meu quarto. Ashley já dormia
profundamente o que me deixou mais tranquilo. Pelo menos não teria que
encará-la agora. Com cuidado pra não fazer muito barulho, despi-me e fui para o
banheiro, uma ducha e minha cama eram tudo o que eu precisava agora.
Passei
a noite me revirando entre os lençóis. Por mais que eu tentasse o sono não
vinha. Os detalhes do que aconteceu no quarto de Demi rondavam minha cabeça e
faziam um sorriso brotar em meu rosto. Parecia um grande desperdício dormir,
enquanto eu podia ficar a noite toda lembrando de cada detalhe, de cada
expressão e de cada pedaço do corpo de Demi.
Eu
já me apaixonei antes, já gostei muito de uma garota, a Ashley tá aí pra provar
isso, afinal, eu estava prestes a me casar com ela, mas com Demi era diferente.
Uma sensação nova, como se eu só pudesse ser feliz ao lado dela, como se o
sorriso dela fosse o combustível que me fazia andar. Eu precisava daquela
garota como meus pulmões precisavam de ar. Eu estava dependente dela.
Em
meio a pensamentos e sorrisos bobos o sono me venceu, sem que eu ao menos
notasse.
Acordei
com os raios de sol adentrando o quarto e fazendo as paredes do cômodo, antes
brancas, adotarem um tom que variava do amarelo para o alaranjado. Espreguicei-me
e fiquei feliz ao me lembrar de que hoje o escritório não funcionaria, por
motivos que eu, mero empregado, não era digno de saber.
Levantei
e caminhei vagarosamente até o banheiro pra fazer minha higiene matinal e tomar
um banho que me acordasse de vez. Depois desci até a cozinha, tomei um café
reforçado e, só quando estava recolocando a jarra de suco de volta na
geladeira, vi o bilhete que Ashley tinha deixado na porta.
“Amor,
não quis te acordar sem necessidade, mas tenho um assunto sério pra tratar com
você quando chegar, por favor, esteja em casa.
Amo
você!”
O
que Ashley poderia ter de tão sério pra conversar comigo? Será que era o mesmo
que eu? Suspirei alto ao lembrar do que teria que fazer e comecei a pedir, com
toda a fé que eu tinha, para que o assunto de Ashley fosse o mesmo que o meu,
assim pouparíamos tempo, lágrimas e xingamentos...
Mas
voltando a realidade, o que eu faria hoje? Ficar em casa vendo TV e comendo
besteira não dá! Meu tempo de fossa já passou. Agora era tempo de sorrir e por
falar em sorriso... Claro! Vou sequestrar Demi pra passar o dia comigo.
Vesti
uma roupa qualquer e quando estava saindo de casa, vi que Demi estava chegando
da escola, provavelmente ela iria almoçar e depois ir para o balé, mas eu
estava disposto a quebrar essa rotina certinha dela.
-
Demi! – chamei ainda do jardim da minha casa e Demi me olhou confusa e
surpresa.
Corri
até ela e a cumprimentei com um beijo no canto da boca e a vi arregalar mais
ainda os olhos. Ri brevemente com isso.
-
Você está louco? – ela começou a dizer em um sussurro alarmado e olhando para os lados – E se alguém ver a gente, Joe?
-
Quem se importa? – eu disse dando de ombros e sorrindo brevemente.
-
Não sou eu quem é comprometido aqui, vizinho... – ela disse com os olhos
cerrados com uma expressão divertida.
-
Por pouco tempo, vizinha... – eu disse frisando a última palavra fazendo-a ri.
-
Você está certo do que vai fazer Joe? – ela disse um pouco mais séria e,
arrisco dizer, um pouco insegura.
-
Como nunca estive antes. – eu disse e a vi abrir um sorriso enorme ao qual eu
correspondi sem ao menos notar – Mas então, eu vim te fazer um convite especial.
-
Hm... É mesmo? – ela perguntou divertida – E qual seria?
-
Você me dá a honra de passar o dia comigo? – eu perguntei em um tom galanteador
que a fez rir.
-
Ah Joe, eu ia amar, mas você sabe que eu tenho o balé agora. – ela disse
mordendo o lábio inferior e eu tive que me segurar para não beijá-la ali mesmo,
no meio da rua.
-
Você não vai morrer se falar um dia, vai? – eu perguntei erguendo as
sobrancelhas.
Demi
fez uma carinha pensativa e eu tive que insistir.
-
Vai, Demi, por favor... Por mim...
-
Ok! – ela disse rolando os olhos, mas rindo ao mesmo tempo – Me espera naquela
praça aqui atrás da rua, vou só tomar um banho e trocar de roupa.
-
Certo. – eu disse abrindo um sorriso, genuinamente, feliz – Não demora.
Dei
outro beijo, agora na bochecha de Demi e me afastei sorrindo. Eu mal podia
acreditar na felicidade que eu estava sentindo. Era assustador o quanto eu
podia estar feliz, era como se eu pudesse sair distribuindo sorrisos para toda
a população do planeta e, ainda assim, sobrariam sorrisos para serem dados.
Não
tive que esperar muito. Pouco mais de vinte minutos depois, vi Demi
aproximar-se com uma calça jeans justa de lavagem escura, uma blusa branca com
uma estampa qualquer meio cumprida, all star preto e um Ray Ban azul. Para
qualquer um na rua ela era apenas mais uma adolescente linda e que chamava a
atenção por onde passava. Pra mim, era a razão de todos os meus sorrisos,
inclusive desse que acaba de nascer ao vê-la caminhando até mim.
-
Oi vizinho. – ela me cumprimentou assim que se aproximou do carro.
-
Já disse o quanto eu acho sexy quando você me chama de vizinho? – eu disse com
os olhos cerrados.
Demi
soltou uma gargalhada gostosa e deu a volta no carro pra entrar no lado do
carona.
-
Pra onde vamos? – ela perguntou enquanto afivelava o cinto.
-
Hm, vamos fazer um programa de namorados. – eu disse sorrindo.
Demi
me olhou assustada, mas logo abriu um sorriso imenso, daqueles que é capaz de
iluminar o dia, e apenas balançou a cabeça em afirmação. Dei partida no carro e
me dirigi ao shopping que ficava do outro lado da cidade, onde, provavelmente,
não correríamos o risco de esbarrar com nenhum conhecido.
Eu
me sentia como um adolescente de novo. Caminhando de mãos dadas e rindo de
coisas bobas. Uma experiência que nunca vivi com namorada nenhuma. Talvez por
todas elas quererem parecer mais maduras e cultas do que realmente eram, ou por
não terem conteúdo. Demi era diferente. Ela era divertida, sabia conversar,
sempre tínhamos assuntos em comum, o que era bem estranho já que vivíamos em ambientes e tínhamos idades diferentes, parecia que éramos Almas Gêmeas.
Fomos
ao cinema, tomamos sorvete, comemos na McDonald’s... Enfim, tivemos um dia
perfeito! Com direito a mãos dadas, abraços e beijos. Algumas pessoas olhavam
meio torto pra gente. Digamos que a altura da Demi não ajudava muito na visão
que tinham de nós, enquanto casal. Não nos importávamos com isso. Estávamos
felizes, apaixonados e juntos. Isso bastava.
Encontramos
um banco vazio, perto de uma fonte, do lado externo do shopping e nos sentamos
ali. Passei meu braço pelo ombro de Demi e segurei sua mão na minha. Era
impressionante como elas se encaixavam bem.
-
Há quanto tempo você está com a Ashley? – ela perguntou do nada.
-
Quer mesmo falar sobre isso? – eu perguntei meio desconfortável – Quero dizer,
é nosso momento, certo? Apenas nós!
-
Eu quero saber, por favor... – ela perguntou fazendo bico e eu sorri e revirei
os olhos.
-
Tudo bem... – eu disse – Hm, mais ou menos dois anos.
-
Como se conheceram? – ela continuou o questionário, ignorando meu olhar de
censura.
-
Na faculdade. – eu respondi depois de suspirar alto – Sempre estudamos juntos e
ela sempre mostrou interesse em mim, mas eu era novo e só queria me divertir.
-
Então, como ficaram noivos? – ela perguntou cerrando os olhos, meio confusa.
- Em uma festa, nós acabamos ficando juntos e ela saiu espalhando que estávamos
namorando. Ela era a garota mais cobiçada de toda a faculdade, então, de
repente todos me cumprimentavam pelo feito de estar com ela. Não consegui
desmentir nada e quando vi já estava envolvido demais pra voltar atrás. – eu respondi
dando de ombros.
-
Você a amou? – ela perguntou em tom baixo.
Eu
a olhei por alguns instantes e, como se não tivesse controle dos meus
pensamentos e nem da minha boca, as palavras fluíram.
-
Por algum tempo, eu achei que sim. Até conhecer você e perceber que eu estava
completamente enganado.
E
aquele sorriso, que eu tanto amava, brotou nós lábios de Demi ao ouvir minhas
palavras. Os olhos dela adquiriram um brilho diferente, os deixando ainda mais
lindos e então selou nossos lábios. Um
beijo calmo, carinhoso, sem pressa. Aproveitávamos cada sensação que podíamos
proporcionar um ao outro. O mundo parava toda vez que nossos lábios se
encontravam, nada importava. Apenas nós.
Era
final de tarde quando deixei Demi na pracinha. Eu não me importaria de deixá-la
ena frente da sua casa, mas ela não achou que seria uma boa ideia, ainda. Quando
cheguei em casa, vi que Ashley já estava lá, pois suas coisas estavam jogadas
pelo chão. Estranho.
Subi
as escadas de dois em dois degraus e, antes de chegar a porta do quarto, ouvi
um barulho estranho, quase como gemidos, era um som abafado. Que porra era
aquela?
Abri
a porta, rápido e vi Ashley sentada na cama, com o rosto entre as mãos e
abraçada a um travesseiro. Andei até ela e, quando notou minha presença, Ashley correu e me
abraçou forte. O que poderia ter acontecido? Porque ela estava chorando daquele
jeito?
-
Hey... – eu chamei baixo – O que aconteceu Ash?
Ela
apenas separou o abraço e caminhou até a cama, pegou um papel que estava jogado
em cima dela e me entregou, com as mãos tremendo. Peguei o papel da mão dela e
a olhei sem entender nada.
-
Lê. – ela disse com a voz fraca.
Abri
o papel e tive que ler inúmeras vezes pra acreditar. Minha cabeça girou, meus joelhos ficaram fracos e parceia que o chão havia sumido debaixo dos meus pés. Meu coração acelerou e aquelas palavras pareciam brilhar em neon sob meus olhos. Não podia ser! Arregalei
os olhos e a mirei, incrédulo. Ashley sacudiu a cabeça em sinal afirmativo, como
se tivesse lido meus pensamentos e quisesse confirmar o que meu cérebro não queria aceitar.
Engoli em seco e consegui, com muito esforço, pronunciar algumas palavras.
-
Você está grávida? – perguntei, quase sem voz.
-
Estou. Você vai ser pai! – ela disse e tentou sorrir, mas não conseguiu.
Meu
maior sonho e o maior pesadelo de Ashley. Eu não estava acreditando em como o
destino podia ser tão cruel, quando queria!
Continua...
n/a: Oi lindas! :D Primeiro: Fiquei muito feliz com os 17 comentários no capítulo anterior, nossa! Vocês não tem noção de como isso é importante, MUITO OBRIGADA!! Vocês são uns amores! <333 Agora, quanto ao capítulo :S Ferrou tudo! O que o Joe vai fazer agora, minha gente? O filho que ele sempre quis, o maior sonho dele... ai ai... como a vida é triste né?! :/ Comentem muito minhas lindas >.< e aviso, preparem os lenços daqui por diante, conselho de amiga u.u Até o próximo post amore! Bjs! :***
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