18 de outubro de 2012

Capítulo 5 – You’re Strange


Depois que Demi foi embora, fiquei tentando me recompor... Eu precisava de um banho gelado. Passei horas debaixo do chuveiro tentando me livrar da sensação dela em mim. Em vão. Parecia que ela estava impregnada em meu corpo e, por mais que quisesse, ela não saia de mim.

Quando, finalmente, me conformei com o fato de que ela não sairia de mim tão cedo, desliguei o chuveiro e enrolei a toalha na cintura. Ao sair do banheiro, instintivamente  olhei para a janela da sacada. A luz do quarto dela estava acesa. Eu devo ser algum tipo de maníaco masoquista, mas não consegui resisti e me aproximei da sacada.

A cortina estava fechada, mas eu conseguia ver o contorno do corpo da garota em uma sombra projetada no tecido. Ela estava, aparentemente, de toalha e escolhendo uma roupa no armário. Eu era um doente. Isso pode ser considerado pedofilia? Meu Deus, o que eu estava fazendo?

Balancei a cabeça e sai da sacada, fechando-a em seguida. Fui até a gaveta do armário e escolhi uma boxer preta e vesti. Deitei na cama e, assim que fechei os olhos, a imagem dela voltou a minha mente. Como essa garota conseguia me perturbar assim?

Quero dizer, eu tinha a Ashley. Tá certo que ela não era nenhuma maravilha na cama, mas até que eu não podia reclamar. Ashley nunca fez o estilo fogosa, nem quando eu a conheci no inicio da faculdade. Comecei a namora-la, pura e simplesmente por ela ser a garota mais cobiçada da faculdade. Quando vi, já estávamos noivos e planejando nosso futuro.

Fui despertado dos meus pensamentos quando ouvi barulho de chave no andar de baixo. Ashley estava chegando. Logo ouvi passos subirem as escadas e minha noiva abriu a porta do quarto. Assim que a vi entrar, algo em meu peito se apertou, minha garganta criou um nó e meu estômago embrulhou: Culpa! Estava sendo tomado pela culpa por tudo o que estava fazendo com Ashley. Eu não a merecia, eu era um canalha filho da puta que não a merecia.

- Oi amor – ela disse jogando suas coisas em cima da poltrona do quarto.
- Oi – eu respondi me sentando na cama – demorou...
- Pois é... Muito trabalho acumulado – ela disse tirando os sapatos e caminhando em direção ao banheiro.

Eu precisava dela, ou então ia enlouquecer. Precisava livrar-me da sensação de Demi em mim ao mesmo tempo em que, de alguma forma, me redimia por meus atos levianos inconsequentes.  Levantei da cama e a agarrei pela cintura antes que ela entrasse no banheiro. Comecei a beijar o pescoço dela e Ashley pareceu relutar até, finalmente, se desvencilhar dos meus braços. Encarei minha noiva sem entender nada.

- O que foi? – eu perguntei confuso.
- Eu preciso de um banho querido. – ela disse sorrindo docemente.
- Eu posso tomar outro banho – eu disse indo até ela novamente e voltando a beijar seu pescoço.
- Joe, é sério... – ela disse me empurrando pelo peito – eu tô cansada, foi um longo dia de trabalho, por favor... Hoje não.
- Porra Ashley – eu disse perdendo a paciência com ela – é sempre assim! Você sempre está cansada... Cacete, eu também trabalhei pra burro hoje sabia?
- Eu não sou uma máquina do sexo Joe! – ela disse gritando também.
- Eu não quero uma máquina do sexo! – eu disse já totalmente enfurecido – Quero apenas minha noiva!

Virei com raiva e abri o armário em busca de uma roupa qualquer, precisava sair dali antes que fizesse uma besteira.

- Vai aonde? – ela perguntou ainda parada no mesmo lugar.
- Não sei – respondi sem olhá-la – talvez eu vá atrás do que não tenho em casa.

Sai do quarto sem ver a cara que ela fez, mas podia apostar todo o meu salário, que era algo próximo à psicopatia. Qual é? A culpa não era minha se ela não estava cumprindo sua parte no relacionamento. Não que eu, realmente, pretendesse ir atrás de sexo na rua, mas ela não precisava saber disso. Não agora, pelo menos.

Assim que saí de casa, virei o rosto em direção à casa dos Lovato, movido por um cruel e doentio instinto. Cerrei meus olhos forçando a vista pra ter certeza do que eu via. É, eu não estava ficando louco, Demetria estava lá, sentada nos degraus em frente à casa dela, com os fones no ouvido e olhando para rua, com o pensamento distante. Algo me dizia que o destino estava ‘tirando uma’ com a minha cara!

Andei devagar até ficar em frente a casa dela, ainda na calçada. Demetria me viu e sorriu amigavelmente, deu leves batidinhas no espaço vazio ao seu lado, em um convite mudo para que me aproximasse e assim o fiz.

- Oi – eu disse sentando-me ao lado dela.
- Oi vizinho – ela respondeu tirando os fones do ouvido.
- O que faz aqui fora? – perguntei virando o rosto pra ela.
- Pensando... – ela respondeu – E você?
- Esfriando a cabeça – eu disse voltando o olhar para a rua
- Problemas com a noiva? – ela perguntou mexendo no IPod em suas mãos.
- Como você sabe? – perguntei erguendo a sobrancelha e voltando a olhá-la.
- Deduzi – ela respondeu dando de ombros.

Eu ri sem humor e abaixei a cabeça negando levemente. Ficamos em silêncio por um tempo, até Demi quebrar o silêncio.

- É por isso que não gosto de relacionamentos sérios – ela disse sem levantar os olhos do IPod – só trazem problemas.
- E o que você sabe de relacionamentos sérios? – perguntei em tom de deboche – Você é praticamente uma criança.
- Primeiro: eu não sou criança e você bem sabe disso – ela disse com um olhar malicioso me fazendo ficar meio sem graça – Segundo: eu sei bem mais do que você imagina sobre relacionamentos.
- Ah é?! – perguntei rindo – E quantos namorados você teve nesses longos 17 anos de vida?
- Um só – ela respondeu dando de ombros – Mas acredite, foi o suficiente pra eu não querer isso nunca mais na minha vida!
- Hm, e o que ele fez? – eu perguntei ainda debochando – Te deixou pra ficar com uma garota de torcida?
- Antes fosse – ela riu – Seria menos traumático.
- Tá, agora eu fiquei curioso – eu disse e apoiei os cotovelos nos joelhos cruzando minhas mãos – Quer falar sobre isso?
- Nossa! Você pareceu meu psicólogo agora – ela disse e riu brevemente.
- Pera... – eu disse fazendo um sinal com a mão – Você faz sessões com um psicólogo?
- Eu disse que foi traumático. – ela disse e abaixou a cabeça – Ainda quer ouvir?
- Se ainda estiver disposta a contar... – eu disse com a voz mais serena.

Ela fez um breve momento de silêncio e respirou fundo, como se travasse uma batalha interna com ela mesma. Algo me dizia que, o quer que fosse, era sério. 

- Ele era o cara mais cobiçado do colégio – ela começou a dizer olhando para a rua – e eu me sentia sortuda por ter sido a “escolhida” – ela fez aspas com as mãos na última palavra – Como eu era estúpida!

Demi soltou uma risada nasalada e olhou pra baixo. Fiquei em silêncio esperando que ela continuasse.

- Tudo foi absolutamente perfeito no início – ela continuou – ele me tratava como uma princesa sabe? Mas isso só durou até mais ou menos o terceiro mês de namoro.

Ela fez mais um momento de silêncio e eu sentia a curiosidade crescer cada vez mais dentro de mim. Estava me sentindo nervoso por dentro.

- Um dia, durante uma festa de um amigo dele – ela falava com o olhar perdido – Ele bebeu demais e eu fiquei preocupada. Alguns amigos me convenceram de que subir com ele para um quarto era melhor pra que ele parasse de beber. Meu Deus, como eu era idiota! – ela disse batendo na testa e suspirando alto antes de continuar – Assim que entramos no quarto, ele começou a me agarrar e eu não tinha forças pra lutar com ele. Eu gritava, mas a música era mais alta. Ninguém me ouviu!

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Demi e, pela primeira vez, eu pude ver fragilidade nos olhos dela. E mais uma vez a vi como uma menina, que precisava de cuidados. Demi precisava de alguém que a confortasse e que a protegesse. Naquele instante eu me senti tentado a assumir esse papel.

- Ele conseguiu o que queria – ela disse secando as lágrimas e eu senti um nó se formar em minha garganta – Ele não tirou só minha virgindade naquela noite, ele levou junto a garota que eu era.
- Demetria, você ouviu o que disse? – eu perguntei incrédulo – Esse cara estuprou você!

Ela apenas me encarou com uma expressão de dor, como se não tivesse gostado de ouvir a minha última frase.

- Seus pais sabem? Você foi a polícia? Esse cara tem que ser preso. – eu comecei a falar rápido.
- Calma Joe! – ela disse pegando de leve em meu braço – Sim, meus pais sabem, por isso faço sessões com psicólogo. Nós fomos até a polícia, mas o pai dele é muito rico e acabou não dando em nada. Depois de uma semana ele mudou de cidade.
- Sorte dele! – eu disse bufando – Se ele ainda estivesse por aqui, eu ia adorar encontra-lo com meu ‘soco inglês’*.

Demi soltou uma gargalhada alta e eu a encarei incrédulo. Por que diabos ela estava gargalhando? Ela não tinha noção do quão sério era o assunto?

- Por que você está rindo? – perguntei sério.
- Desculpa, mas foi inevitável – ela disse tentando se controlar – É que bem, você não faz o tipo que anda por aí com um ‘soco inglês’ no bolso sabe?

Minha vez de rir. Ela tinha razão, eu não era desse tipo.

- É tenho que confessar – eu disse ainda rindo – eu não tenho um ‘soco inglês’.
- Eu sabia! – ela disse gargalhando ainda mais.

E assim, sem notar, a conversa tomou outro rumo. Não que eu tivesse esquecido o que ela tinha me contado a pouco, mas se ela não quis continuar no assunto, quem era eu pra insistir? Falamos sobre gangues, filmes de mafiosos e terminamos falando sobre o Leonardo DiCaprio. Quando olhei o relógio me assustei. Eram quatro horas da madrugada!

- Nossa! Tá muito tarde. – eu disse levantando.
- Ou muito cedo, depende do ponto de vista – ela disse também se levantando.
- No ponto de vista de quem tem que trabalhar daqui a pouco e ainda não dormiu, está muito tarde! – eu disse rindo.
- Certo – ela disse rindo e abaixando a cabeça com as mãos pra trás, essa, com certeza, era a pose mais inocentemente sexy que eu já tinha visto.
- Hm, obrigado pela conversa – eu disse coçando a nuca.
- Imagina – ela disse sorrindo – Obrigada por me ouvir também.
- Disponha – eu disse e acenei brevemente com a mão, em seguida comecei a caminhar em direção a rua.
- Joe! – ela me chamou.

Assim que me virei, Demi correu em minha direção e pulou em meu colo. Logo demos início a um beijo profundo. Minhas mãos seguravam firmemente a cintura dela enquanto as mãos de Demi se prendiam nos meus cabelos. Eu não podia estar fazendo isso. Ashley não merecia isso. Porque toda a culpa que senti algumas horas atrás não me fazia parar aquilo? Porque com ela ali nos meus braços tudo parecia tão certo?  Separamos o beijo quando já nos faltava ar. Demi permaneceu de olhos fechados, depois sorriu e se afastou.

- Boa noite vizinho. – ela disse sorrindo e caminhando até a porta da sua casa.

Eu fiquei em estado de choque por alguns momentos e quando recobrei a consciência, comecei a caminhar de volta a minha casa. Entrei em casa e subi para o quarto e, assim que entrei, Ashley, que estava deitada, sentou-se na cama. Ela estava com os olhos vermelhos e inchados.

- Onde você estava? – ela perguntou com a voz fraca.
- Pensando por aí – disse enquanto tirava minhas roupas e meu tênis, indo deitar.
- Joe, sobre hoje mais cedo... – ela começou, mas eu não deixei que terminasse.
- Agora não Ashley – eu disse virando-me de costas pra ela, já na cama – eu, realmente, preciso dormir.

Ashley demorou alguns segundos até deitar-se novamente e quando o fez, começou a fungar baixinho. Estranhamente, não senti vontade de abraça-la e de dizer que estava tudo bem, como havia sentido com Demi há algumas horas atrás... E lá foram meus pensamentos até ela.

Naquela noite, Demi havia me mostrado que idade é apenas um estado de espírito, pois ela com apenas 17 anos, tinha muito mais a contar do que eu, com meus 25 anos de vida. Absorto em pensamentos, fechei os olhos e deixei que o sono viesse. Adormeci sentindo o gosto dela em meus lábios.


Continua...

*soco inglês: é uma arma branca de tipo soco, feita de metal, com quatro orifícios para se encaixar aos dedos como anéis, causando mais dano e ferimentos à vítima atingida pelo soco. 

n/a: Olá lindas! :D Como estão? Espero que bem! ^^ Então, o que acharam do capítulo? Eu gosto demais dele, apesar do capítulo 7 ser, disparado, o meu preferido e vocês saberão o por quê quando eu postar... Acho que vão concordar comigo! :D Deixa eu falar pra vocês, eu já comecei a escrever outra fic, ela será a próxima a ser postada quando Sweet Seveteen acabar e, devo dizer, ela é FODA! Até agora eu não acredito que tive essa ideia, juro! Mas calma, Sweet Seventeen vai demorar a acabar, ela deve ir até o capítulo 30 mais ou menos... Enfim, é isso lindas! Não esqueçam de dizer o que estão achando, amo interagir com vocês, muito obrigada por tudo e até o próximo post, Bjs! :**

n/a Especial: Lindas, hoje é aniversário do meu namorado *.* quero todo mundo desejando parabéns pra ele hein?! u.u hahaha, apesar de saber que ele não lerá isso, pois ele acha coisa de menininha ¬¬, quero deixar registrado aqui o quanto o amo e o quanto ele é importante pra mim! :D Parabéns amor! <3


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15 de outubro de 2012

Capítulo 4 – Can I Stay Here?

Coloquem a música pra carregar e soltem ao meu sinal ok?! Sério, vai dar todo um toque especial ao capítulo! :D

***

Cheguei em casa morto, depois de um dia puxado no trabalho. Por eu ter ficado um tempo afastado, muita coisa tinha ficado acumulada no escritório e eu tive que correr pra não ficar devendo nenhum documento. Ainda tinha muita coisa a ser feita, mas deixei a maioria encaminhada.

Ashley havia acabado de me ligar avisando que chegaria mais tarde hoje, pois teve problemas no trabalho e ficaria pra resolver. Ótimo! Foi o que pensei. Não que eu não gostasse da companhia da minha noiva, mas eu precisava ficar um pouco sozinho.

Depois de um banho relaxante, sentei em frente a TV com um balde de salgadinhos e um copo enorme de coca-cola. Uma noite de homem! Tudo o que eu precisava.

Mal tinha acabado de me acomodar no sofá quando ouvi a campainha tocar.

- Mas que merda! – eu resmunguei.

Quem diabos estava ali pra atrapalhar minha, rara, noite de homem?

Gritei um “já vai” e levantei do sofá, indo até a porta. Eu estava só de calça de moletom, mas quem ligava? Fosse quem fosse, não iria demorar mesmo.

Abri a porta e me deparei com uma garota de cabeça baixa , deixando a mostra o coque perfeito, que vestia um colã preto por baixo de uma blusa branca, que caia em um ombro, um short jeans curto e nós pés um all star preto. Demi levantou os olhos pra me encarar e lançou um sorriso tímido. Eu permaneci em silêncio, um tanto hipnotizado pela imagem a minha frente.

- Hm, oi vizinho. – ela disse sorrindo.
- Ah... Oi – eu disse despertando do transe.
- Bem, eu não quero incomodar, mas é que eu esqueci a chave de casa na bolsa da escola e meus pais ainda não chegaram – ela disse gesticulando com as mãos – hm, será que posso ficar aqui até eles chegarem?
- Ah, claro! – eu disse dando passagem pra ela entrar.
- Obrigada e prometo que não vai demorar, eles já devem estar chegando – ela disse colocando a bolsa rosa e branca em cima do sofá – vejo que atrapalhei uma noite e tanto.
- É... – eu disse rindo – é o que um homem faz quando não tem a noiva pra fiscalizar.
- Hm, Ashley não está? – ela perguntou desconfiada
- Não, ela vai chegar mais tarde do trabalho hoje – eu disse sentando no sofá e chamando pra que ela sentasse ao meu lado – Você quer comer alguma coisa?
- Não, obrigada – ela disse negando com a cabeça – eu comi antes de vir pra casa.

Eu concordei com a cabeça e voltei minha atenção pra TV, não que eu prestasse atenção no que passava. Não tinha como, com a minha vizinha gostosa sentada ao meu lado no sofá e vestida daquele jeito.

- Então, você faz balé a quanto tempo? – eu perguntei tentando manter uma conversa.
- Desde pequena – ela disse pegando um salgadinho da bacia em meu colo e, devo dizer, só a menção da mão dela indo em direção àquela região me deixou tenso – Minha mãe também era bailarina, mas teve que deixar de dançar quando engravidou de mim.
- Então é um dom genético? – eu perguntei rindo um pouco.
- Pode-se dizer que sim – ela respondeu rindo também – Sabe, a antiga moradora dessa casa a Sra. Feltz era minha professora.
- Então isso explica a sala de espelhos lá em cima – eu disse, mesmo já sabendo sobre o fato da Sra. Fetz ser professora de balé.
- É, eu fazia aulas extras com ela aqui – ela disse dando de ombros – ela sempre dizia que a prática levava a perfeição. Sinto saudades dela, minha nova professora é legal, mas a Sra. Feltz era simplesmente uma mestre no que fazia.
- Devo imaginar – eu disse olhando pra ela – Ouvi dizer que você é a melhor nisso.
- Não, tô longe de ser a melhor – ela disse rindo sem graça – mas faço o que posso pra fazer meus pais se orgulharem de mim.
- Acho que você está indo bem – eu disse sorrindo – eles não pararam de falar sobre ‘como a filha deles é brilhante’ durante o jantar.
- Ás vezes eles exageram – ela disse rindo.

O silêncio se estalou entre nós e apenas a TV era ouvida em um canal de esporte qualquer. Eu sentia necessidade de continuar a conversar com ela, de ouvir mais sobre o que ela tinha a dizer, de ouvir mais do som da voz dela.

- Joe... – ela me chamou meio tímida – será que eu posso ir até a sala de balé?
- Claro – respondi sorrindo.

Subimos até a sala de balé, abri a porta e acendi a luz. Demi entrou e uma expressão de pura nostalgia tomou conta do rosto dela.

- Eu passei grande parte da minha infância aqui – ela disse, passando a mão pelas barras de apoio.
- Você, vai rir do que vou dizer – eu disse cruzando os braços e me apoiando em uma das barras do lado oposto ao dela – Mas, eu comprei essa casa por causa dessa sala.
- Sério? – ela disse olhando pra mim através do espelho – algum tipo de fetiche?

Eu levantei a sobrancelha surpreso com a pergunta e ri sem jeito em seguida.

- Não... Na verdade, ainda não tinha parado pra pensar nisso. – eu respondi rindo brevemente.

Demi sorriu e virou-se pra me encarar, ainda do outro lado da sala.

- Você se incomoda se eu treinar um pouco? – ela perguntou sorrindo.
- Fica a vontade – eu disse fazendo um breve aceno com a mão.
- Você pode, então, pegar um CD e minhas sapatilhas que estão dentro da minha bolsa, por favor? – ela perguntou de um jeito que me fez lembrar que ela era apenas uma menina. Absurdamente sensual, mas ainda assim, uma menina.

Concordei brevemente e desci as escadas indo em direção a bolsa dela que estava no sofá. Abri o fecho e lá dentro encontrei uma garrafa de água com a figura da Mônica estampada nela, as sapatilhas cor de rosa, outras mudas de roupa, uma bolsa menor que estava cheia de coisas, mas que não abri e finalmente o CD.

Depois de por tudo de volta na bolsa, peguei o CD e as sapatilhas subindo as escadas em seguida e quando entrei na sala, meu queixo quase foi parar no chão. Demi estava só com o colã preto e com a meias brancas, sentada no chão com as pernas em borboleta, aparentemente, se alongando.

- Aqui o que você pediu – eu disse meio atordoado, estendendo a ela o CD e as sapatilhas.
- Obrigada – ela sorriu e pegou as coisas em minha mão.

Colocou as sapatilhas delicadamente, amarrando a fita de cetim, com uma graciosidade que eu jamais vi em nenhuma outra pessoa. Em seguida levantou e foi até um aparelho de som pequeno que estava no canto da sala. Logo pude ouvir uma melodia lenta, mas forte.

 (n/a: aperte o play! ;D)

Demi direcionou-se ao centro da sala e eu sentei em um canto da sala, onde eu tinha a visão das costas dela. A mulher começou a cantar e Demi começou a fazer movimentos que seguiam o ritmo da música.

Seems that I have been held
(Parece que fui mantinda)
In some dreaming state
(Em algum estado de sonho)
A tourist in the waking world
(Um turista no mundo desperto)
Never quite awake
(Nunca completamente acordado)

Movimentos graciosos, alinhados e incrivelmente sensuais. Eu queria me livrar da sensação de que ela estava dançando pra mim, mas, a cada movimento, ela me lançava um olhar intenso pelo espelho, fazendo com que cada fio de cabelo existente em mim arrepiasse.


No kiss, no gentle word
(Nenhum beijo, nenhuma palavra gentil)
Could wake me from this slumber
(Poderiam me acordar deste sono)
Until I realise that it was you
(Até eu perceber que foi você)
Who held me unde
(Quem me segurou assim)

 Eu estava em um jogo de sedução, sem ao menos saber como havia entrado. E o que era pior, estava gostando disso. Gostando demais! Meus olhos admiravam cada movimento e cada centímetro do corpo de Demi  e, movido por um impulso ou por puro desejo, me pus de pé e comecei a caminhar lentamente até a garota.

Felt it in my fist, in my feet
(Senti isso no meu punho, nos meus pés)
In the hollows of my eyelids
(Nas cavidades das minhas pálpebras)
Shaking through my skull, through my spine
(Sacudindo através do meu crânio, através da minha espinha)
And down through my ribs
(E para baixo, através dos meus quadris)

Demi então fechou os olhos e rodopiou nas pontas dos pés, com uma das pernas flexionada de modo que, a ponta da sapatilha quase tocava o joelho da outra perna. Antes que ela pudesse completar a volta eu segurei sua perna flexionada, fazendo assim com que ela se encaixasse em meu corpo. Minha outra mão alcançou sua cintura e ela desequilibrou, tendo que segurar em meus ombros para manter-se na ponta do pé.

No more dreaming of the dead
(Não mais sonhando com os mortos)
As if death itself was undone
(Como se a própria morte fosse desfeita)
No more calling like a crow for a boy
(Não mais chamando como um corvo por um menino)
For a body in the garden
(Por um corpo no jardim)

Ficamos nos encarando por alguns segundos. Eu sentia meu corpo borbulhar de desejo e, naquele momento, nada mais importava. Nossa diferença de idade, o fato dela ser menor, Ashley... Nada disso tinha a menor significância perto do que estava sentindo. Meu corpo pedia pelo dela de um modo que nunca imaginei ser possível.

No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love, so in love
(Tão apaixonada, tão apaixonada)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love, so in love
(Tão apaixonada, tão apaixonada)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love with the wrong world
(Tão apaixonada pelo mundo errado)

Em um impulso puxei Demi para meu colo, fazendo com ela enlaçasse as pernas em minha cintura e passasse os braços em voltas do meu pescoço. Caminhei com ela até suas costas encontrarem um dos espelhos/paredes da sala, sem desviar meus olhos dos dela. Colei nossos corpos e levei uma de minhas mãos ao rosto da garota, fazendo um carinho em seu rosto macio e perfeito. Demi fechou os olhos e começou a soltar o ar pela boca entreaberta fazendo-me desviar o olhar para seus lábios. Erro! Estúpido e inevitável erro!

And I could hear the thunder
(E eu pude ouvir o trovão)
And see the lightning crack
(E ver o relâmpago estourar)
All around the world was waking
(Tudo ao redor do mundo foi acordando)
I never could go back
(Eu nunca poderia voltar)

 'Cause all the walls of dreaming
(Pois todas as paredes dos sonhos)
They were torn right open
(Elas foram despedaçadas e abertas)
And finally it seemed that the spell was broken
(E finalmente, parece que o encanto foi quebrado)

Os lábios de Demi eram de um tom rosado que só a faziam parecer ainda mais com uma boneca de porcelana, tão frágil e tão perfeita. Levei meu polegar até seus lábios e a senti estremecer com aquele simples toque. Macios ao tato, carnudos aos olhos, só faltava, agora, saber o gosto.

And all my bones began to shake
(E todos os meus ossos começaram a sacudir)
My eyes flew open
(Meus olhos se abriram)
And all my bones began to shake
(E todos os meus ossos começaram a sacudir)
My eyes flew open
(Meus olhos se abriram)


Encostei meus lábios aos dela e senti meus corpo vibrar e minhas pernas ficarem moles. O desejo cego tomou conta de mim e, rapidamente, intensifiquei o beijo sem encontrar resistência de Demi. O encontro de nossas línguas me fizeram apertar minhas mãos na cintura da garota e pressionar meus quadris contra os dela. 

No more dreaming of the dead
(Não mais sonhando com os mortos)
As if death itself was undone
(Como se a própria morte fosse desfeita)
No more calling like a crow for a boy
(Não mais chamando como um corvo por um menino)
For a body in the garden
(Por um corpo no jardim)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love, so in love
(Tão apaixonada, tão apaixonada)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love, so in love
(Tão apaixonada, tão apaixonada)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love with the wrong world
(Tão apaixonada pelo mundo errado)

Estávamos em um mundo paralelo, onde todos os meus sentidos se voltavam para ela. Tudo em mim respondia à Demi. O cheiro, o gosto, o toque tudo em Demi me atraía e me fazia sentir como se tudo o que estava fazendo fosse certo. Não era! Mas quem se importava? 



Snow White's stitching up the circuitboards
(Branca de Neve está costurando as placas de circuito)
Someone's slipping through the hidden door
(Alguém está deslizando através da porta escondida)
Snow White's stitching up the circuitboard
(Branca de Neve está costurando as placas de circuito)

Desci minhas mãos para as coxas dela e apertei com força o suficiente para fazê-la gemer baixinho em minha boca e arranhar minha nuca. Eu não conseguia separar nossos lábios, tal ato me parecia insano, doloroso como se precisasse do corpo dela junto ao meu para continuar respirando.

No more dreaming of the dead
(Não mais sonhando com os mortos)
As if death itself was undone
(Como se a própria morte fosse desfeita)
No more calling like a crow for a boy
(Não mais chamando como um corvo por um menino)
For a body in the garden
(Por um corpo no jardim)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonhando como uma garota)
So in love, so in love
(Tão apaixonada, tão apaixonada)
No more dreaming like a girl
(Não mais sonahando como uma garota)
So in love, so in love
(Tão apaixonada, tão apaixonada)
No more dreaming like a girl
(Nãomais sonhando como uma garota)
So in love with the wrong world
(Tão apaixonada pelo mundo errado)


Demi apertou as pernas que estavam em volta de mim, trazendo-me para mais perto dela. Apenas minha calça de moletom e o colã que ela usava separavam nossas intimidades e mesmo assim, parecia que nada estava entre nós. Minha única reação era apertar ainda mais minha mão em sua coxa e beijá-la com cada vez mais intensidade. 

Snow White's stitching up the circuitboards
(Branca de Neve está costurando as placas de circuito)
Someone's slipping through the hidden door
(Alguém está deslizando através da porta escondida)
Snow White's stitching up the circuitboard
(Branca de Neve está costurando as placas de circuito)
Someone's slipping through the hidden door
(Alguém está deslizando através da porta escondida)


O ar começava a nos faltar quando ouvimos uma música sobressair a que estava tocando antes. Demorei um pouco pra reconhecer Turn Up The Music do Chris Brown. Demi pareceu se assustar e espalmou a mão em meu peito me afastando dela. Desci Demi do meu colo e ela correu até o short que estava em um canto da sala, e só aí entendi que era o celular dela que estava tocando.

- Oi mãe – ela disse assim que pós o aparelho no ouvido – eu tô aqui na casa do Sr. Jonas, já estou indo. Ok mãe, beijos.

Ela desligou o telefone e se virou pra mim.

- Bem, eu tenho que ir – ela disse pegando e vestido o short e logo em seguida a blusa.
- Hm, tudo bem – eu disse coçando a nuca, sem saber o que fazer. Minha vontade era correr até ela e continuar o que estávamos fazendo.

Demi terminou de se vestir, calçou o all star, pegou o CD que estava no aparelho e caminhou até mim.

- Obrigada, vizinho – ela disse e depositou um selinho em meus lábios – Fico te devendo uma.

Antes que ela pudesse virar, porém, eu a peguei pelos braços e a beijei calmamente. Demi correspondeu ao beijo que não durou muito, mas foi bom o suficiente para fazer um sorriso lindo aparecer nos lábios dela.

- Pode ter certeza que eu vou cobrar – eu disse sorrindo malicioso.

Demi mordeu o lábio inferior sorrindo e caminhou até a porta. Fiquei parado ali sem condições nenhuma de me mover, se é que você me entende... Depois de alguns segundos ouvi a porta da minha casa batendo. Ela tinha ido embora, mas só em corpo. O cheiro dela ainda estava naquela sala, o gosto dela ainda estava em minha boca, a sensação da pele dela ainda estava em minhas mãos e a imagem do sorriso dela ainda estava em minha mente.


Continua...


n/a: Olá lindas! :D Pegação Jemi! #megusta hahahaha... Deixa eu falar uma coisa: esse capítulo foi inspirado em uma parte de uma das fics mais fodas que já li, Betting Her! Quem quiser ler, tipo eu super recomendo, mas cuidado porque ela é restrita e contem cenas fortes de sexo. :S Não pensem que sou pervertida ok?! mas é que as melhores fics, em sua maioria, são restritas. Não me pergunte o porque! u.u Maaaaas, voltando ao capítulo. O que acharam? Safadinho esses dois hein?! hahaha... Ah, gente... Quero muito agradecer os comentários de vocês na mini fic, sério, me deixou MEGA feliz, você são umas fofas! *.* Não se esqueçam que sábado  tem a outra! :D É isso lindas, obrigada às novas seguidoras, sejam muito BEM VINDAS e até o próximo post lindas! Bjs! :**


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